segunda-feira, 23 de março de 2015

O cachecol

Na escola onde andei a tentar fazer o ensino secundário - e fiquei-me só pelo tentar -, no segundo ano aquela merda entrou em obras, e um gajo, que era os pretos por sermos de curso profissional, tinhamos aulas em contentores. Coisa feia.
Ora bem, passou-se então que um dia qualquer, pus à janela da casota onde tinhamos aulas, um cachecol de um clube histórico português, que naquela altura andava a bater mal. A malta achou piada, claro.
Umas gajas, doutra turma qualquer, pa tanga, passaram lá e puxaram o caralho do cachecol, botando-o ao chão. Fiquei "cego".
Tão "cego" que comecei a chamar-lhes filhas da puta, alto e em bom som, no meio da minha sala. Ai foda-se lá o abuso. Mas estamos onde?!
Então fui lá fora de gás, tava um gajo a fazer um teste encostado à porta, puxei-lhe a mesa pa abrir a porta e o morcão ainda se pôs a olhar pró chão e a dizer "que é que foi?". Que é que foi?! Arruma-te, caralho!
Saí, cheguei àquela simulação de corredor que lá estava e gritei "quem é que foi o filho da puta?!". Assim mesmo. Aos berrros. À campeão!
Enquanto os prof's tentavam à pressa fechar as persianas das aulas deles, apanhei aquela merda e voltei pa dentro. A prof disse logo que já tinha falta e que podia ir embora. À puta que a pariu.
Mas ainda lhe disse pa esperar mais um quarto-de-hora que era pa sair só no segundo tempo da aula. Era só pa apanhar logo o autocarro até cá baixo à capital. Vambora.
E era isto, amigos. O cachecol havia-me sido emprestado nesse mesmo dia, mas ainda está cá em casa. Calma, eu sou um gajo que devolve as cenas.
O meu parça é que disse pa ficar com ele. E eu aproveitei. Não se devem desperdiçar oportunidades pa sacar cenas.
Abraço ao xadrez!

Sem comentários:

Enviar um comentário