sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Ni hao

Ni hao seus pandeleiros. Como estais?
Há por aí algum de vós que saiba falar mandarim? Não? Que fraquinhos, fds. Eu também não sei. Mas eu sou da capital do Mundo! Aqui só devemos saber falar uma língua. Mas há alguns que nem isso.
Bom, então e expressões chinocas também não sabem nenhuma? Eu também nã... sei, sei! Ni hao. Parece que quer dizer olá, ou é dito como forma de cumprimentar o povo.
Eu sou fã dum programa que dá na SportTv, esse canal pa ricos como dizem os pobres, que dá pelo nome de Bar SportTv. Basicamente vão lá dois gajos da bola contar histórias.
Como sou fã vejo todas as semanas. Sempre com alta coladela naquilo. Fácil. Não há menino na hora do Bar. Aqui em casa e noutros bares também. Os dois últimos foram com o Toni e o Simões, essas duas lendas-vivas do Carnide. Perdão, do clube da Farmácia Franco. Dizem que se chama Benfica ou lá que é.
O ganda Toni, e isto é fora de tangas, porque até simpatizo com o homem, fala sempre a verdade e o caralho, gajo porreiro, já teve na China, sabiam? Aposto que não. Bruxo.
Claro que ele ao início teve que aprender umas tangas em mandarim pa meter os gajos a jogar em condições ou então a tentarem jogar só. E uma das primeiras coisas que aprendeu foi essa do ni hao. Que difícil Toni! Até os meus gatos dizem nihao. Se não dizem é parecido.
O homem lembrou-se de ensinar essa à mulher, que estava pa lá ir tamém, então ela pa treinar viu um chinoca em Lisboa, virou-se pa ele e disse: ni hao. E o gajo respondeu: sabe, eu moro ali em Odivelas...
Qui caralho. Com tanto turista que anda praí foi logo falar pa um que tá cá vitalício e a receber guita lá da muralha. E não será tão pouca quanto isso. E não paga impostos como tu pagas. Eu não pago porque não desconto. E com jeitinho nem português sou. Nunca fiando.
Era só isto. Não me perguntem se ela foi pa China dizer ni hao e que alguém lhe respondeu em português. Nunca lá fui também. Mas também não quero ir. Arroz todos dias. A mim não.
Conto convosco amanhã no sítio do costume.
Ni hao aí pa casa!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Estaciona aí

Ganda malta! Tão firmes e hirtos? Pintaram alguma coisa ou nem por isso?
Hoje passei por um sítio que sempre que lá passo lembro-me de alta cena que lá aconteceu. E a culpa foi minha. Por isso é que me lembro muito bem. E rio-me sempre.
Acho que já vos falei do Roberto. Ganda maluco. Por isso é que nos damos tão bem. Adiante. Íamos de carro, e passámos a uma casa que não tinha portão. Nem sei se já tem agora. Então antes que a gente passasse lá de gás eu disse-lhe: estaciona aí dentro. E ele: de quem é a casa? E eu respondo: sei lá mano. Siga masé. E ele estacionou mesmo lá dentro. Até aqui tudo bem.
Eram prai umas dez e meia da noite e ele não tem mai nada: desliga o carro e eu pergunto: que é que tás a fazer? E o Roberto na sua máxima tranquilidade responde: vou fumar aqui um cigarro.
Aceito apostas sobre se fumou ou não. Bambora. O tempo tá-se a acabar. E acabou. Não fumou porque eu disse pa arrancarmos dali antes que levássemos no focinho. Poi não. Elas não dói mas aleijam.
Imaginem agora vocês tarem na vossa casa e ouvirem um carro a trabalhar dentro do vosso recinto. Não é alto estrilho? Melhor que isso só mesmo se estacionarem dentro da casa de alguém. Que foi o que nós fizemos. Campeões Mundiais na arte de armar merda e desafiar as leis.
Mas o Roberto não teve culpa. Culpa teve quem lhe disse pa estacionar lá. Foda-se lá pó burro.
Por hoje tá feito. Dezembro está a passar muito depressa. Deve ser por tar de férias.
Vou andando então, ok? Vejam lá onde é que entram. Quem avisa vosso amigo é.
Xauzinho.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Bora caralho

Maltinha!!! Hoje estou muita bem-disposto! E vocês, também? Caguem, ninguém quer saber.
O que tenho para vos contar hoje envolve uma simples expressão: bora caralho! Nada de mais. Ou então, tudo de mais. A começar pelo palavrão. Mas já sabem como sou. Quando me enervo é assim.
E de onde é que saiu esta expressão, estão vocês a perguntarem-se insistentemente. Têm razão. Saiu da minha cabeça. Como de costume, não é?
Um gajo ao domingo vai sempre à bola, tão a ver? Vamos a todo o lado atrás do nosso clube. Claro que não posso revelar qual é o clube. Votem Gafetense nisso. Ou Limianos. Bom, continuemos. Vimos embora e tal, e vamos sempre pó café encanar umas jolas. Mas hoje o percurso foi diferente. Tivemos que ir a buscar a mulher dele e o puto e não sei quê, e lá fomos. Chegamos lá, ele pára no sítio onde eles tavam, eu apito e mando um berro a dizer "Bora caralho!". E ele riu-se bastante. Foi então que eu pensei: hum, curioso. Se este curtiu, esta merda deve resultar.
Bazamos de lá, fomos até casa dele e ele teve que pôr o seu bólide na gargem. Acontece que o gajo lembrou-se de ir viver pra um prédio onde existe uma zona comercial. E como estamos em época de Natal, adivinhem lá, tava lá mais gente que em Shanghai. Fds.
Então eu tive a ideia de lhe dizer que ia mandar um berro quando abrisse a porta pa sairmos. No meio das lojas. E ele ok. Começamos a descer as escadas em direção à porta da saída, olho pa trás, e vejo-o a ir pa garagem outra vez. E eu: qué que vais fazer? E diz ele: vou-me esconder...
Nisto ele volta a vir atrás de mim e eu abro a porta de repente e berro "bora caralho!". E tava um gajo mesmo à frente da porta. Claro que olhou pa trás e se arrumou. Ai não. E o meu amigo a rir-se. E duzentas pessoas a olharem pra nós assustadas e admiradas. Duzentas não. Quatro ou cinco, vá.
Depois encaixamos no café e pronto. Cerveja pa todos de borla. Só pa dizer que o nosso clube empatou 4-0 e apanhou o até aqui líder. Uma equipa ali da serra. Este ano temos que subir... bora caralho!!!
Adeus e xau.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Alergias

Ora boas, seus alérgicos.
Desculpem a pergunta, mas são alérgicos a alguma coisa? É que eu assumi isso sem vos perguntar. Nunca se sabe se não são alérgicos ao Keyser. Era o que havia de faltar...
Hoje até tou porreiro, mas ontem, foda-se... fui pó hospital as onze e tal da noite, todo manchado e cheio de comichão. Ao primeiro ainda pensei que tivesse sido pelo golo do Rui Pedro. Mas afinal não. Quê, vão dizer que aquele golo não foi top? Foi mais que top. O puto tem tomates. Ó se tem. Vá, siga masé com a conversa que não foi pa falar de gajos que cá vim. Ou melhor, até foi. Mas o gajo sou eu.
Então, como eu tava a dizer, fui pó hospital com uma alergia que nem os gajos de lá sabem ao quê. Engraçados os médicos, não são? A espera nem durou muito, fui observado e depois siga pá sala de medicação, ou lá o que é. Sem querer encontrei lá um primo da minha avó. É verdade.
Mais uns dez minutos a ressacar colado na RTP1 e vem de lá a enfermeira chama o meu nome. Sou eu e tal, anda cá. Lá veio ela de injeção em punho e eu logo: quê, já me vai dar uma injeção? E ela na máxima tranquilidade responde: naaa, primeiro vamos-lhe tirar sangue. Ainda não percebi foi para quê, porque não me comunicaram resultados nenhuns.
Depois deu-me a injeção e tal e eu comecei a flipar e ia tombar, mas ainda fui a tempo de levantar a mão como se tivesse a pedir mais bebida, e dizer que tava a bater mal. Deitaram-me lá numa cena qualquer e fiquei ali até voltar a tar fixolas.
Passado umas duas horas comecei a pressionar pa bazar né, e vem o médico "então vamos lá ao consultório e tal, já se quer ir embora?" e eu era pa dizer "não, acha. tou bem aqui..." mas não disse porque sou um gajo sério e tava a ver os gostos na foto que tinha posto no Insta.
Receitou-me a medicação e mandou-me embora. O gajo ainda me disse que era capaz de ter sido do golo do Porto. Rais te foda Paulo Jorge. Acho que se chamava assim. Mas era bom gajo.
Vamos lá ver como isto corre. Agora ando carregado de medicamentos. Se calhar a minha avó não toma tantos.
E posto isto, vou fechar o tasco, que tenho um jantar. Siga atacar a francesinha.
Portem-se bem e nada de alergias, ok?